O que é o Tocks do Ock-Tock?

Leonardo “Ock-Tock” Paiva é músico e produtor musical por teimosia, jornalista por formação, redator por acaso, ex-piloto de DeLorean, canastrão profissional, marido apaixonado, cínico compulsivo e resmungão talentoso. Depois de trabalhar por mais de 10 anos escrevendo para revistas, jornais e sites de diversas editorias como tecnologia e cultura, trabalha hoje na VirtualNet escrevendo textos diversos para os clientes da empresa.

Paralelamente, continua se envolvendo com música e áudio em geral, produzindo bandas no estúdio Audiofusion Bureau. O blog Tocks do Ock-Tock é uma forma de se manter “em atividade” na área. Conheça um pouco mais nessa entrevista feita por Vana Medeiros (também conhecida como “Sra. Tock” ou “minha esposa” ou “o grande amor da minha vida”) – se você quiser fazer mais alguma pergunta, mande um email para que ela, e sua devida resposta, seja publicada aqui.

 

Quando começou sua paixão por música?

Três pessoas muito importantes me ensinaram a amar música: a minha mãe, que era apaixonada principalmente por música clássica e jazz e algumas coisas muito pontuais de MPB como Chico Buarque e, principalmente, de Elis Regina; meu avô, que foi meu primeiro professor de violão; e um primo que era aproximadamente 10 anos mais velho que eu e curtia muito rock. Ele me apresentava sempre as bandas que ele curtia, que eram as bandas clássicas – Kiss, Queen, Led Zeppelin… Foi ele quem me apresentou ao rock especificamente e me incentivou a aprender a tocar instrumentos diversos. A convivência 24 horas por dia com pessoas tão musicais me influenciou muito a gostar de música. Acabei me apaixonando e percebendo que música não é apenas música: é uma linguagem, é uma forma de comunicação primal e fantástica que transcende qualquer idioma.

 

Como foi que surgiu o Tocks do Ock-Tock? Aqui você fala de rock especificamente ou de música no geral?

Esse blog tem tantas versões anteriores… O “Tocks do Ock-Tock” começou antes mesmo da Internet: ele era o nome de um fanzine que eu fazia com xerox nos anos 90, onde eu escrevia sobre música e sobre o cenário alternativo carioca na minha adolescência. Abordava música, quadrinhos, cinema, contra-cultura, etc. Depois daí, ele teve várias versões: ele foi jornal-mural, panfleto, virou uma newsletter, foi um site pessoal no falecido GeoCities durante o início da Internet no Brasil, foi nome de colunas dentro de sites onde fui convidado a escrever… Nos anos 2000, quando a ferramenta de “weblog” surgiu, testei essa novidade de então batizando o meu novo espaço na Web para escrever sobe assuntos diversos – não tinha nenhum tema específico para ele na época, eu escrevia sobre o que quisesse (é claro que música era um tema recorrente nele).

Hoje, o Tocks é um blog voltado para o rock. Escolhi abordar somente esse tema agora porque é o assunto que eu mais gosto de ler, ouvir (claro) e falar sobre, principalmente após o fim do podcast Máquina do Tempo, onde fui um dos fundadores e produtores, ao lado de meu grande amigo Leandro Bulkool. Desde que o Máquina estreou, as pessoas passaram a me conhecer por ele e, consequentemente, me associar ao assunto. Este blog é minha intenção de continuar esse trabalho de falar sobre rock.

 

E você toca algum instrumento, certo? Conta um pouco da sua relação de fazer música.

Quando eu era adolescente eu praticava mais. Aprendi a tocar violão com meu avô e meu primo e, interessado em saber mais, segui os passos naturais de evolução: do violão eu passei pra guitarra, pro baixo, pra bateria, pra gaita… Fiquei brincando com tudo isso ao mesmo tempo sem evoluir muito. Resultado: eu faço um pouquinho de tudo sem ser bom em nada.

Toquei profissionalmente por um tempo como músico de estúdio, toquei muito em barzinho (costumo dizer que o Lulu Santos e o Djavan pagaram boa parte da minha faculdade), participei de “trocentas” bandas ao mesmo tempo… Parei de investir na música pra me dedicar a outra área profissional que é o jornalismo. Até hoje eu levo esse lado da música como um hobby. Voltei a tocar com uns amigos, com quem ensaio covers diversas semanalmente, mas apenas por brincadeira. É divertido, mas continua sendo apenas isso – é o equivalente ao “futebol de domingo com os amigos”, só que, como eu não gosto de futebol, eu troco a bola pelo baixo.

 

Qual é a principal função do Tocks do Ock-Tock hoje? O que seu leitor pode esperar ao entrar no blog?

Essa é uma boa pergunta… Eu tenho um desejo de continuar conversando com as pessoas sobre rock – uma conversa que teve início em 2008, quando eu Leandro demos início ao Máquina do Tempo, mas sem o formato obrigatório que eu tinha na época do podcast. É uma mídia que exige periodicidade infalível e uma produção trabalhosa.

Com o blog, essa produção é muito mais leve, tornando tudo mais tranquilo de se levar. Primeiro: é apenas texto; segundo: sou eu sozinho, sem depender da agenda de terceiros; terceiro: eu escrevo quando eu quero ou quando eu posso, se os afazeres da minha vida particular ou profissional não me permitirem dar atenção a ele, tudo bem… Se o blog ficar parado por dois ou três dias, não vou me estressar com isso (como eu me estressava na época do Máquina, que tinha que publicar um episódio novo religiosamente às segundas-feiras)…

Respondendo à sua pergunta, meus leitores podem esperar que, quando eu tiver um tempo livre para me dedicar a ele, vou “bater um papo” com eles sobre rock, quando eu tiver algo para contar ou conversar ou qualquer ideia que eu tiver, qualquer opinião… O que quer que venha na minha cabeça sobre rock e estiver a fim de compartilhar com eles de forma mais detalhada, vou “dissecar” isso em textos mais trabalhados por aqui.

 

O Máquina do Tempo acabou, mas o grupo do podcast no Facebook continua ativo, onde os apresentadores mantém um contato próximo com seus antigos ouvintes.

Sim, o grupo do Máquina do Tempo no Facebook continua ativo e todos são convidados a participarem e continuarem postando sobre rock por lá e conversando com quem já faz parte – eu mesmo utilizo o grupo para divulgar as novidades do Tocks. Continuamos trocando links e dicas de sons novos… É como se fosse o Máquina, só que em forma de texto, assim como o próprio Tocks.

 

Mas você não está só no Tocks, certo?

Exatamente. Além de você poder ouvir os episódios do Máquina em seu site, sou colaborador do site Troca o Disco com artigos meus publicados toda quinta-feira, e participo do VirtualNet Podcast.

 

Que conselho você daria para aqueles que acompanham seu trabalho, seja no Tocks, no Máquina, no Troca o Disco ou na VirtualNet Podcast? Você, como outras pessoas ligadas ao mundo do rock, acompanha muita coisa, fica por dentro dos lançamentos e está sempre de ouvidos abertos para ele. Como você faz?

Mantenha a mente aberta. Não fique preso às mesmas bandas, aos mesmos sons do passado. Algo que eu percebo, principalmente com as pessoas mais velhas, é que muitos falam “o rock morreu, bom mesmo era na época do Led Zeppelin, do Sabbath, do Iron Maiden… Tal banda, depois do disco ‘X’, não fez mais nada de bom, depois da década de 70 ou 80, ninguém fez mais nada que preste…” Abra a mente! Existe muita coisa boa que foi feita depois e continua sendo, mas não é mostrada na grande mídia. A Internet é, hoje, uma grande piscina de bons sons que estão sendo feitos e, se você quer conhecer esse cenário atual, mergulhe de cabeça. Existem milhares de meios como serviços de streaming (o próprio YouTube, que é um serviço de vídeo, acaba tornando-se uma fonte riquíssima), vários sites que divulgam os trabalhos de bandas independentes… Tudo isso tem ferramentas de busca para você procurar por gêneros musicais ou algo mais específico e todos eles têm sons maravilhosos esperando por você. Deixe a preguiça de lado, tenha um pouco d iniciativa e vá atrás desses sons – não espere eles chegarem até você, pois o que lhe será entregue é o que a mídia oferece, que é aquela coisinha processada de sempre.