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Os “Anvils” espalhados pelo Brasil

Os “Anvils” espalhados pelo Brasil

Não faz nem 24 horas que terminei de assistir ao premiado e comentadíssimo Anvil! A História de Anvil, de 2008 – obrigado, Netflix, por finalmente disponibilizar a atração em seu catálogo. Eu, que sempre adorei a banda, compartilho da sensação de que eles foram deixados de lado como um dos nomes mais importantes do Metal dos anos 80 e sempre quis assisti-lo, mas só agora tive a oportunidade e entendi o porque esse relato ganhou tantos prêmios em festivais de cinema na época.

O filme mostra a trajetória da banda canadense fundada pelo guitarrista/ vocalista Steve “Lips” Kudlow e pelo baterista Robb Reiner, que começaram a tocar juntos aos 14 anos e tiveram um vislumbre de sucesso quando os três primeiros álbuns do Anvil estouraram na cena do Metal durante a “década perdida”. Depois disso, por diversos motivos, o grupo caiu no ostracismo e  as gerações seguintes nunca ouviram falar deles, mas a dupla continua batalhando de forma independente em sua dupla jornada, trabalhando em outros empregos para pagar as contas enquanto que, nos fins de semana e nas férias dos trabalhos, eles caem na estrada para tocar em clubes de merda ou entrar em estúdio para gravarem novos trabalhos, pagando como dá – normalmente, se endividando muito, pois seus salários mal pagam todos os boletos e colocam comida na mesa pras famílias.

É impossível não fazer da história do Anvil um comparativo e uma inspiração para o cenário de música independente no Brasil (quem sabe, do mundo). Quantos Anvils a gente não deve ter em diversas cidades por aí, batalhando da mesma forma para encontrar seu lugar ao sol em diversos cenários (seja no rock, na MPB, no hip hop, etc.)? Não importa que eles estejam tentando há mais de três décadas como Lips e Robb, agora na casa dos 50 anos de idade, ou estão entrando agora nesse fantástico e difícil mundo nas tenras idades da adolescência: como diria o AC/DC, “é um longo caminho ao topo se você quer fazer rock n’ roll”.

Esse caminho pode ser longo, podendo gerar (muitos ou poucos) frutos ou interrompido sem levar a lugar nenhum, mas isso está nas mãos dos fãs. Isso mesmo que você está pensando: nas suas mãos! Suas e de todas as pessoas que estiverem lendo esse texto, pois se você se interessou em ler sobre o documentário do Anvil lá em cima, é porque você curte música de alguma forma. Imagine agora que as próximas bandas e artistas que você pode vir a gostar (quem sabe, a sua próxima banda favorita) estão tocando há poucas quadras da sua casa, talvez a alguns minutos de carro ou transporte público no máximo – acredite, tem muitos Anvils por aí tocando todos os fins de semana em tudo que é lugar, apresentando um material com incrível potencial de conquistar um nicho fiel ou o grande público.

Após assistir ao documentário, coloque aquela banda do seu amigo ou aquele artista independente que alguém te indicou pelo Spotify no lugar deles. As dificuldades, as dúvidas, as enganações, os medos, as inseguranças… Nada disso é exclusividade dos canadenses. Todos esses sentimentos e essas barras são vividas diariamente por quem decidiu trilhar o tal caminho rumo ao topo, sem deixar de correr também a “corrida dos ratos” – o que dizer, então, daqueles que, ainda mais corajosos, largaram tudo para trilharem o caminho ao topo em 100% do tempo, ralando com ainda mais intensidade!

Mas se o sucesso desses artistas independentes está nas suas mãos, como eu disse antes, o que você pode fazer para essas carreiras acontecerem? O esforço não é tão árduo assim para os fãs: vá ao show, compre o CD, vista a camiseta, dê um play no álbum dele pelo seu serviço de streaming preferido… Se o artista/ banda está levando esse trabalho a sério, então ele tem produzido material de qualidade (tanto quanto o escasso dinheiro dele pode pagar) para que isso tudo esteja ao seu alcance. Os ingressos para seus shows e CDs costumam ser bem mais baratos que os dos chamados “grandes artistas”, de forma que não vai pesar no seu bolso e você ainda vai curtir um repertório que em nada deve para os grandes nomes das majors pelo mundo.

Se o caminho até o topo é longo, com a companhia daqueles que curtem os sons dos Anvils, ele se torna, pelo menos, mais gratificante e divertido pra ambas as partes. Coloque seu tênis de trilha e aumenta o som!

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