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Sepultura entra em nova e ótima fase com “Machine Messiah”

Sepultura entra em nova e ótima fase com “Machine Messiah”

Se você apresentar álbuns do Sepultura como Schizophrenia ou Arise para alguém que só conhece seus mais recentes trabalhos, essa pessoa provavelmente vai dizer: “nem fu*** que é a mesma banda”. E não é mesmo. Machine Messiah é a última prova disso.

Se ainda havia algum traço da era dos irmãos Cavalera no som feito por Derrick Green (vocais), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Eloy Casagrande (bateria), ele foi apagado por completo no novo álbum. Isso não quer dizer, no entanto, que o trabalho se afastou das raízes brasileiras ou das raízes do próprio Sepultura – pelo contrário: Messiah traz a perfeita união do moderno com o tradicional dentro do gênero do thrash metal.

Conceitual, o álbum debate sobre a robotização de nossa sociedade moderna enquanto cria a mitologia de uma espécie de máquina divina que criou a humanidade e, agora, essa máquina encerra mais um ciclo. Um tema tão atual sugere mesmo que amarras com o passado sejam cortadas, mas sem esquecer as lições que ele ensinou. Por isso a escolha do sueco Jens Bogren (Soilwork, Amon Amarth, Opeth) para produzi-lo ao lado da banda foi acertadíssima.

A faixa Phantom Self é um exemplo de como Machine Messiah é o início de uma nova fase do Sepultura, pois nela encontramos esses elementos modernos na forma das cordas de violino ao longo da música junto com o “batuque brasileiro” em seu início – e quem já pensou que ele, de alguma forma, remete ao clássico Roots, esqueça. Outras músicas como a faixa-título, com uma pegada bastante lenta, Alethea, Cyber God e Resistant Parasites (também com presença de cordas que criam um tema épico-espacial) mostram um Sepultura ainda mais melódico e menos histérico, preocupado com arranjos e levadas que contem a história tanto quanto as letras, ora cantadas, ora urradas por Derrick.

Riffs poderosos, mesmo que cheguem mais perto do heavy do que do thrash, também estão presentes na excelente instrumental Iceberg Dances, e momentos mais violentos como em Silent Violence, Vandals Nest e a bônus Chosen Skin, mas sem serem tão viscerais quanto em trabalhos mais antigos – o objetivo e preocupação aqui é o de contar uma narrativa em forma de música, e não simplesmente (ou somente) despejar sua raiva e angústia em quase uma hora de álbum. Para provar que os caras têm até senso de humor, o disco fecha com uma segunda faixa bônus, Ultraseven No Uta, a música-tema da clássica série japonesa Ultraseven.

Machine Messiah é um marco na carreira do Sepultura, seja por ser um excelente álbum de uma banda que já passou por inúmeras transformações ou por ser o primeiro marco de uma nova visão do grupo que tanto aprendeu em 35 anos de estrada.

Sepultura
Machine Messiah
Gravadora/ selo: Nuclear Blast
2017
Nota: 7

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